quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

SOCIEDADE DO ORUN - ABI KUN

                                         
SOCIEDADE DO ORUN
MAIS UM MATERIAL QUE COLI NAS MINHAS PESQUISAS SOBRE ASSUNTOS QUE SEMPRE CAUSAM POLEMICA ENTRE OS NOSSOS IRMÃOS.

Egbé òrun são companheiros espirituais.
Cada pessoa tem a sua preferência de companhia no òrun antes de vir ao ayè, quando uma pessoa vem do òrun ela pode estar associada a muitos grupos.  Um destes grupos é chamado Ègbé Emere um dos mais poderosos.  O destino de uma pessoa já está traçado antes dele vir a Terra.  Seu espírito já fez seus acordos com os poderes constituídos. Este acordo pode ser por dinheiro, vida longa, filhos e etc.
Este acordo depende do individuo. Em alguns casos uma pessoa pode ter marido/esposa durante seu tempo no òrun e ter feito uma promessa significativa para ele/ela.  Eles podem ter prometido não se casar com ninguém enquanto viverem na Terra. Como podem ter prometido passar apenas um dia, mês ou ano na terra.Se o acordo foi quebrado quando esta pessoa estava na Terra, esta pessoa vai ter muitos problemas em sua vida terrena.  É importante que uma pessoa faça um sacrifício relevante para Ègbé Emere, Ègbé Eru Didi ou Ègbé òrun, para sua situação em particular quando chegar a este mundo.  Alguns prometem fazer este sacrificio quando estão no òrun, mas quando chegam a Terra não buscam estas informações e não fazem o sacrificio combinado.   Algumas pessoas tem acordo com Egbé òrun no oceano, outros em árvores, todos tem seus companheiros de Ègbé ou espiritos que estavam junto dele enquanto permaneciam no òrun.
 No Odù Òyékú’Ogbè vemos
 Ìjì Àjí a ko jiré
Isun asùn a ko sun ire
Ebo Òyèkú-L’ogbè la o mon.
 Foi divinado para Òrúnmìlá quando ele guardava seu dinheiro no quarto.
Um dia ele voltou de viagem e descobriu que estava faltando dinheiro.
Ele pensou que fossem seus Áwo que estavam lhe roubando.
O dinheiro continuava sumindo e Òrúnmìlá descobriu que era seu Egbé que estava perturbando sua vida.
Ele realizou sacrificio, alimentou-os.
Após fazer isso o dinheiro deixou de sumir.
Ele então começou a alimentá-los periodicamente e não teve mais problema.
 Os problemas das pessoas se manifestam de maneiras diferentes.
Alguns perdem emprego, outros têm problemas no parto, no casamento ou no relacionamento, isto depende da circunstância individual. Tudo isto poderia ser uma promessa quebrada com seu Egbé ou o descontentamento deles com algo que a pessoa esteja fazendo na Terra. É o Egbé que tem o poder de levar coisas essenciais a alguém para fazer sua vida infeliz, é feito por causa de um acordo quebrado.  Nem todos são Abiku, nem todos vão morrer na cerimônia do nome ou no dia do casamento. Porém para alguns pode ser o caso.
Quando Egbé òrun vem buscá-lo é por causa do acordo original.
 Em Òsé-Ògúndá temos:
 Òsé Omolú
Òsí ko mo áwo
Agada ko mo Orí
Eni o da oru
 Foi feita divinação para ómó Asode, ómó Aroko e ómó Asawo, estas três crianças vieram do òrun, no mesmo período e com a mesma promessa. Eles fizeram promessa antes de vir a Terra e iriam voltar para o òrun depois de ficar apenas sete dias.
As três mães fizeram jogo com babalawo.  Apenas uma das mães fez o sacrificio prescrito.
Elas foram orientadas a não fazer a cerimônia do nome e nem fazer festa, elas deveriam apenas dar um nome a criança e nada mais.  As outras duas mães usaram o dinheiro para uma grande festa em vez de fazer o sacrificio.  Durante a cerimônia do nome, Ègbé òrun chamou suas crianças de volta para casa.  Quando chegaram a ómó Asawo eles foram incapazes de levá-lo.
É destino de algumas pessoas serem muito poderosas na Terra. É através do Egbé que seus aspectos positivos se manifestarão. Para algumas pessoas uma coisa pequena e insignificante se transformará em algo muito grande através da influencia de Ègbé. É sempre importante que as pessoas cuidem de Ègbé. Em casos de crianças doentes é importantíssimo, pois problemas na infância podem estar ligados e sendo causados por Ègbé òrun.
 Texto de: Owolabi Aworeni

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

QUIZILAS E EJÓS EM NOSSA VIDA A DOIS.


A idade traz muitas reflexões que as vezes parecem barreiras para muitas coisas que a vida ainda nos exige, vou colocar um exemplo: A muito tempo estou separado e pouco tempo depois desta não me via em condições de viver sem uma companheira e assim logo comecei a namorar uma mulher que pelas coisas mais estranha do destino possui o mesmo nome da minha ex esposa, e logo resolveu adotar uma alcunha de "Bruxinha do Bem" para que não comentasse o nome da ex, e assim parecia que tudo estava bem. Não por uma razão ela começou a querer transformar aqueles momentos que passamos  juntos em algo mas definitivo, e eu ainda não acreditava que isso pudesse dar certo uma vez que passei 15 anos maravilhosos para descobrir que as pessoas aguardam desejos ainda muito seus algo que não conseguiram compartilhar com seu companheiro, e isto magoa criando feridas que causam feridas emocionais que nem sempre são fazeis  de serem curadas (por isso dizem que palavras causam mais danos do que tapas). Então depois de dois anos e meio desisti desse relacionamento. E não tentei buscar na religião qualquer solução ou desculpa para tal atitude, comecei a sentir que o fato da nossa religião cria ainda mesmo depois de tantos anos o preconceito e os preceitos de nós que seguimos os ejós quizilas de nossa crença sofremos, pois é difícil que as pessoas que não conhecem aceitarem de bom grado. E assim fui me tornando uma pessoa só pois até mesmo da família onde possui pessoas das mais variada religiões e muitas evangélicas, não aceitam e mesmo teem preconceito, lembro-me de um fato de que chegando na casa de uma irmã carnal e ela tinha feito um almoço e havia pimentão na salada e no bife a role quando tente explicar que era alérgico foi motivo de longas conversas pejorativas, Então tenho vivido só para não ter que ficar dando tanta explicações sobre esses nossos problemas sendo que alguns parecem que desaparecem com o tempo, como: Não podia comer sardinha e hoje como eu fazendo ou outra pessoa e não senti mais nada, no entanto carangueiro não tentei mais comer, as ostras cheguei a passar o dia todo no hospital com suspeita de AVC até a boca estava torta. Isto é uma pequena amostra do que pode significar conviver com alguém que não respeita as normas de nossa religião. Conselho o jogo esta ai se acaso voce for jovem e acha que pode tudo faça uma consulta a IFÁ, apesar que ele me disse após tantos anos que ainda vou encontrar alguém axé.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O Vento Sagrado......

Este título é uma definição de nossa crença "CANDOMBLÉ" foi uma definição dada por Prof. Agenor em uma entrevista quando já comemorava seus noventa e poucos anos alias esta no "Youtube" eu a estou usando neste momento pois estou em uma situação um pouco incomoda, pois esta acontecendo com alguém de minha familia que esta sendo criada dentro da religião Evangélica pelos seus mais velhos (Avós) com o consentimento dos pais mas, com uma certa duvida a mãe esta me procurando para uma consulta. O fato é que eu estou procurando uma maneira de explicar a uma jovem que tem toda uma formação evangélica o que esta acontecendo com ela e o que eu acredito que deva ser estes acontecimentos, segundo as pessoas que já estiveram com ela, me relataram que de repente ela se transforma para um comportamento mais adulto e serio e fala com propriedade de situações de que aparentemente ela não tem conhecimento, e quando inquirida (pela mãe) se mostrou nervosa, muito tremula e começa a chorar falando que não sabe onde estava? Não por ser da familia mas, por ser uma jovem e com esta formação religiosa estou me propondo a uma reflexão, que estou compartilhando com voces, para sentir que quando queremos fazer a coisa certa temos que ponderar todos os lados e principalmente o do individuo que esta vivenciando o problema ainda que para nós seja uma situação aparentemente simples de resolver. Então começamos a explicar que a espiritualidade não é uma obra do "Demonio" "Diabo" só ai voces podem imaginar o que vão ser a quantidade de perguntas? e acha paciencia para realmente ela tenha confiança para que eu jogue e pergunte o que esta acontecendo e o que devemos fazer! Esta situação esta me fazendo uma verdadeira interrogação "Será que já estou capacitado para poder explicar o que é este Vento Sagrado" Então eu já possuo o conhecimento e já me basta a mim mesmo o saber destes e outros problemas que possam surgir! ou eu os faço como quando comecei a jogar ? "Vamos consultar Ifá" e pronto! este foi o conselho que recebi de um mais velho quando comecei a querer a me aprofundar sobre o problema que chegavam a mim! Eu não o fiz e acredito que em muitos casos deveria telo feito, pois as próprias detentora dos seus ojés não se comprometeram em resolve-los, mas cada caso é um caso e penso que se o Orixá trouxe até a mim é porque de alguma forma estou envolvido, vou colocar a minha mão e meu entendimento para ajudar, e acreditando que o Vento Sagrado é uma fagulha do poder de Olorun.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O ABIKÚ

QUANDO EM 1969 EU AINDA CHEGANDO DO ALEGRETE-RS, MUITO DOENTE E COM DIVERSAS INTERNAÇÕES HOSPITALARES, NADA MUDAVA AQUI EM S.PAULO-SP., ATÉ QUE COMO JÁ CONTEI EM OUTRO TEXTO SOBRE A MINHA INICIAÇÃO, NAQUELA ÉPOCA JÁ SE FALAVA EM ABIKÚ COMO UMA SENTENÇA DE MORTE, COISA QUE COMO VOCES PODEM VER AINDA ESTOU AQUI APÓS 40 ANOS, SE ABIKÚ OU NÃO MUITO SE PODE FAZER A RESPEITO QUANDO SE BUSCA COM FÉ NOS PÉS DO ORIXÁS, POIS SE A TRADUÇÃO DE (ABÍ  KÚ) (NASCIDO PARA MORRER) ENTÃO SOMOS TODOS ABÍKÚ..... PESQUISANDO ENCONTREI UM TEXTO QUE PODE BEM EXEMPLIFICAR ESTA SITUAÇÃO.


Texto de José Ribas
Por Fernando D’Osogiyan
O têrmo Abikú não se pontua apenas à aqueles que nascem para morrer, como determina o conceito Yurubá, pois sendo assim todos nós seríamos Abikús. Costumo dizer, para exemplificar, que Abikú tem qualidade, ou seja, existem vários tipos de abikú e formas de atuação e agregação, numa mesma concepção.
Pode-se cuidar de uma criança Abikú, fazendo-a conviver normalmente entre os seus fazendo oferendas, ebós, tratamento do Orí que são capazes de reter no mundo o Abikú e de lhe fazer esquecer sua promessa de volta, rompendo assim o ciclo de idas e vindas constantes entre o Orun e o Aiye, fazendo pactos também.
Os Abikús tem influência na família, são poderosos manipuladores, videntes, espíritos envelhecidos, atitudes de adulto, etc.
A energia de um Abikú pode rondar uma gravidez, muitos rompimentos e perda de bebê estão relacionadas, porém, não se pode confundir falta de cuidados e tratamento adequado na gravidez com Abikú. Quando o zelador observa através do jogo a presença de Abikú, o tratamento começa no ventre da mãe com as obrigações necessárias e ebós, através de Oxun, Orí, Exú, Egungun, Oxalá.
Existem também os Orixás Abikús Oxalá e Nanã, pois regem a vida e a morte nos dois planos de vida e energia, sendo assim, todas as pessoas de Oxalá e Nanã são Abikús, inclusive a própria iniciação os diferencia como especiais. Mas, independente disso, outras pessoas de qualquer outro Orixá pode ser da família Abikú, a família Kóreo.
Um conceito interessante, que vale uma reflexão é que: uma pessoa pode introduzir em sua vida o espírito abikú, quando antecipa os seus ciclos naturais em função da ambição ou opções de vida. Isto a levará a tornar-se um Abikú, pois certamente terá a data da sua morte antecipada.
Abikú é muito mais do que se pode imaginar, sem dúvida alguma, há conceitos, preceitos, ewós, etc, e deve ser tratado simultâneamente no mundo visível e invisível.
Awúre Kóreo, axé.

                                                                                                                        

                                               

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Este é um Romance a ser acabado! Título Provisório

Este começa partir dos estudos que fustigam meu ser sobre a nossa crença do mundo ocidental, dentre ela a que permeia este é a cristã, partindo de um sonho ou visão e buscando aos tanto já lido, vejo-me de fronte com um grande enigma que pode parecer uma bobagem dentre tantas que povoam a respeito do nosso mestre Jesus ao estudar a sua astrologia, me deparo com algo que não esperava, apesar de muitos não acreditarem que a hora de nosso nascimento já se desdobra em nossa hora de morte, mas porque é tão difícil aceitar esta condição será que até esta queremos atribuir a “Deus” ora esta mentira e tão fácil de ser desmascarada que desde que aceitamos a Bíblia como livro de cabeceira esta lá que ao homem criatura feita à semelhança de seu criador recebia o dom da vida através de um sopro divino até então não conhecia o homem a morte, logo adiante são criados duas situações cruciais para esta um Anjo que iria se tornar seu algoz e a árvore da vida ou saber na qual o senhor adverte se dela comer certamente morreras.
Parece claro que aqui de uma maneira sutil vemos a vida surgir e seu desdobro em morte, pois como pode alguém que não conhece algo determinar a profundidade desta informação, mas não estou querendo discutir esta pequena situação já estabelecida em nossas vidas, mas sim que de alguma maneira “Deus” nos deixou varias pistas para que ficássemos sabendo que aqui viemos por algum tempo e só ele senhor desta pode alterá-la, em seu livro vimos isto varias vezes acontecer, gosto particularmente no livro de Reis onde o profeta Elias,
Ressuscita o menino, claro que invocando o poder de “Deus” e nessa encontraremos passagens onde ele se quer deixa que seus protegidos sejam tocados por ela em Daniel a fornalha se quer chamusca os cabelos de Sedraque, Mesaque e Abdenego, na cova dos famintos leões Daniel os acalenta, e assim temos a certeza que a vida é importante, pois tem um propósito quanto à vontade de “Deus” sem este propósito você pode dispor de seu livre arbítrio e você não sabe como ele surgiu então vou lhe refrescar ele surgiu segundo a Bíblia na diferença do homem com os Anjos e ai torna se uma confusão, pois dizem que os anjos possuíam, mas não sabiam deste direito, mas acredito que é como o do homem ele só tem validade depois que for aprovado sem aprovação você pode pular de uns trinta andares e nada lhe acontecera se a vontade “dele” não autorizar, este tema também complexo para se debater quando quem esta do outro lado, ou seja, a figura central detém o poder absoluto ele é o poder.
Ciente que muitos devem estar atrás de livros procurando encontrar uma maneira de me contradizer, deixará vocês com suas tantas duvidas e continuarei com meu estudo e procurando provar que antes que ele tenha morrido e não assassinado ai não sei se com 36 anos ou com 72 anos, mas sua missão terrena não acabou com 33 anos, ou seja, com sua crucificação,
Creio que após sua retirada para o deserto para o processo de expiação, onde a “Bíblia” nos conta que ele foi tentado três vezes, vêm de encontro o que afirmo que a partir do batismo é que ele passou a ser o cordeiro e assim começaria a tomar ciência de sua responsabilidade, alias estes processos se praticam em varias culturas onde não se utilizam os simples testes de coragem como dos Massais tribo de corajosos guerreiros Africanos, onde um jovem que munido de uma lança tem que caçar um leão para provar ser um guerreiro, esta prova que Jesus enfrentara se aproxima mais dos Hindus que devem enfrentar seus medos numa caverna escura e dela trazer suas respostas, assim vejo o homem maduro procurando conhecer seus limites, de fome sede e solidão e a mercê de todas as duvidas, que agora ele já conhecia como já tinha vivido trinta anos como um simples homem tenha visto o medo, a solidão, a alegria, o amor, ódio, guerra e todas as crueldades humanas, sobre estas coisas que agora tomavam uma super dimensão não de um homem limitado a sua vestidura, mas ao poder de dar um basta as estas coisas, tomava ele consciência abruptamente de que não seria tão fácil como o que estava escrito nos livros em que lia nas Sinagogas.
Começava ele ouvir vozes que não estavam neste mundo, talvez se forçasse pudesse até mesmo vela, com isso tornava-se um ser diferente, não diferente por seguir os ensinamentos dos sábios ou da família, agora sentia sobre seus ombros como uma mistura de não mais ser humano seu corpo ficava leve como uma euforia momentânea de poder este sim seu maior teste mesmo antes de suas tentações, neste momento o ardiloso dele se aproxima, pois sente Que, ainda o cristo não esta totalmente cristalina então este momento é tão importante, pois diante desta confusão seu pai dele não pode se aproximar, a fome e sede humana a descoberta dos poderes serão facilmente tentados e como homem, dele se aproxima para praticar sua ardileza e demonstra ao cristo que ele pode muito bastando que ele deseje poderá transformar toda esta situação, para isto que ele manifeste possuir o conhecimento de quem ele é e mude o seu propósito, que neste momento não me parece decisivo de salvar o homem ou de destruí-lo, pois se ele resolvesse destruir o homem, ele estaria absolvendo o Diabo, por isso a necessidade da ausência de seu pai e o disfarce do demônio que neste momento sabiamente tinha conhecimento que se tentasse se aproximar de cristo em toda sua magnificência ela despertaria a do próprio cristo que nesta situação encontrava-se adormecida, pois não poderia conviver com os homens e sua glória, o ardiloso com cuidado acaba se afastando esperando que ele enquanto revestido de homem ainda tropece mais adiante, esta é sua única esperança, pois ele de “Deus” já recebera a terra, mas não o homem como sua propriedade, diz o Senhor ao Demônio no livro de Jó “Ao homem tudo podes causar, levantar entre os seus ou subjuga-lo, mas advertido estas de que a vida é minha e nela não podes tocar”. Para muitos a passagem de confronto do cristo com o demônio só ocorreu nesta passagem, mas na realidade elas serão intensificadas nos passar dos anos, em ele retornando após ter recebido parte de sua glória quando reencontrou os anjos que o alimentaram com alimentos puramente humanos, pois é citado que os anjos trouxeram a sua presença água e pão e o alimentaram com sua paz dando-lhe forças para continuar seu propósito, porque seu propósito aqui tudo esta em suspense um ser meio homem e meio “Deus” que terá o destino de tudo em seus
OBÁ - ORIXÁ
Este Orixá feminino dirige a correnteza dos rios e a vida doméstica das mulheres, no contínuo fluxo da vida cotidiana. Guerreira como não teve igual, só Ogum a venceu e tornou seu primeiro marido, depois Xangô á roubou e ela foi sua primeira esposa, tornou-se protetora das esposas, porque em suas tentativas de ser esposa foi enganada, uma vez fizeram na cortar a própria orelha, a segunda quis presentear o marido com iruquerê (um espanta mosca feito com rabo de cavalo) lhe cortaram o rabo do cavalo do próprio marido. Orixá raro de se ver, não se reconhece mais este orixá e assim raspa-se como uma qualidade de Iansã. Sua cor, o vermelho cobre, seu dia da semana terça-feira.
XANGO ORIXÁ
Xangô é o dono do trovão, conhecedor dos caminhos do poder secular, governador da justiça. Teria sido um dos primeiros reis da cidade de Oió, que dominou por muito tempo a maioria das demais cidades iorubanas, merecendo Xangô, talvez por esta razão, culto muito difundido na África. É praticamente o grande patrono das religiões dos orixás no Brasil e seu culto este associado aos de suas esposas Oiá, Obá, e Oxum, originalmente orixás de rios africanos. Tamanha é a diversificação em sua origem, que foram criadas varias qualidades deste orixá, são as conhecidas no Brasil: Aganju, Bacosun, Afonjá, Alafin, Airá, Amirim, Sobo, Baru, Agodo, Kaori, Bade, Baianini, Abomim. (Kerê, Obaribi, Kossô, Jakuta, Oroniam) sendo que na qualidade Airá surge uma sub qualidade: Intilé, Adjase e Igbonã.
Sendo assim o grande rei dos cultos aos Orixás. Tendo sua festa grande atrativo Popular uma Festa Famosa deste é a Fogueira de Xangô realizada por acasião do dia de São Pedro conforme o sincretismo popular. Seu dia comemorativo na semana é as quartas- feiras , e a pedreira é a sua grande morada e a sua saudação é Che Kaô Kabieleci. Em suas saídas ao barracão podemos observar as mais diversas cores, mas a comum é um vermelho terra e Branco, com uma coroa na cabeça e um Xerê na mão.
OYÁ- IANSÃ ORIXÁ
Orixá que na áfrica esta associada ao rio Níger, e que no Brasil por questões óbvia tiveram a perda da referencia “Rio” e passaram a ter outros atributos míticos, Oiá dirige o vento, as tempestades e a sexualidade feminina. É a senhora do raio e soberana dos espíritos dos mortos que encaminha para o outro mundo.
Este orixá possui uma característica muito dinâmica e quando no barracão levantam, a assistência com sua coreografia, muitos homossexuais quando ingressam na seita querem ser deste orixá. O bem da verdade até que não é difícil, pois são muitas as qualidades deste orixá, são elas: (Ilhapopo, Inhatope, Filiaba, Dou Alaba, Bainhã, Ferua, Kori-Koto, Bagã, Apane,Toquem, Silé, Dile, Oiá De, Egum Nita), Seu primeiro marido foi Ogum, mas é conhecida como a esposa reposável por Xangô ter se tornado Orixá.
O nome Iansã ou Iamessam significa nove partes, que em alguns Itás mitologias dos orixás ora são nove filhos ou nove cabeças, Seu dia na semana é as Quartas feiras, seu habitat são as cachoeiras, cruzeiros alto de morros e cemitérios, sua saudação Eparrei Oiá-Oia missorum, quando saí ao barracão costuma carregar ade na cabeça e Eiru (chicote de rabo de cavalo) na mão. No sincretismo popular é Santa Barbara.
OXUM ORIXÁ
Oxum preside o amor e a fertilidade, é a dona do ouro e da vaidade e senhora das águas doces. Tida como a grande feiticeira das Yabás, ora filha de Orunmilá, ora filha de Oxalá com quem possui uma grande ligação, alias com todos os orixás fun-fun, a itas onde aparece até como lésbica em uma relação com Iansã que depois a persegue devido a sua traição, coquete e leviana é uma menina mulher que a todos seduz, grande protetora dos fetos que quer ver os nascer. Seu dia na semana é sábado, sua cor é o amarelo Ouro, sua saudação é “Ora eye o” eu minha mãe Oxum. Sua saída no barracão é mansa e delicada como sua própria, vestida em amarelo com seu ade e seu abebe (espelho), quando em sua qualidade Apara sai vestida como Oia e carrega até mesmo uma espada.
Possui as seguintes qualidades: (Dei, Apara, Eponda, Carê, Oke, Aboto. Abocutava, Acara, Amirin, Taladê, Todemin, Bauila, Mabe, Leuá, Ijidimum, Miua, Eubamba), No sincretismo popular é Nossa Senhora das Candeias, seu habitat é nas Lagoas de água doce, rios e cachoeiras, Conta a lenda que foi oxum que religou o homem com os Orixás, quando resolveu raspar um Yaô, e se inspirou na galinha de angola.

Mais Alguns de Nossos Orixas...

YEMANJÁ ORIXÁ
O Culto aos orixás femininos não se completa sem Iemanjá, a senhora das grandes águas, mães dos Orixás, dos homens e dos peixes, aquela que rege o equilíbrio emocional e a loucura, talvez o orixá mais conhecido no Brasil. É uma das mães primordiais e está presente em muitos mitos que falam da criação do mundo. No Brasil ganhou a soberania dos mares e oceanos, regidos na África por Olocum, orixá esquecido no Brasil, e pouco lembrado em Cuba, a antiga senhora do Oceano, das profundezas da vida, dos mistérios insondáveis.
Também do mar é Ajê Xalungá, de culto inexistente no Brasil, mas lembrado em candomblés que cultivam a busca de raízes culturais, antigo orixá regente da conquista da riqueza, da prosperidade material, dos negócios lucrativos. O Culto de Yemanjá na África está associado ao Rio Níger. No sincretismo, popular é associada a Nossa Senhora da Conceição. “sua saudação:” “Odoia Eru iamim”. Suas vestes normalmente de um azul clarinho e sua cor é o cristal água, seu dia na semana é o sábado. Seu habitat no Brasil é o mar e enseadas.
E são cultuadas as qualidades (Ia Ori, Ia baim, Ia massimalei, Ia Guiri, Ia sessum, Ia soba, Ogun-té , Ia Togun, Ia lada, Ia Obaonim, Ia Aziri Tobossi), E a algumas que devem estar citadas mas, possuem outros nomes como: Ia-Iemowô (esposa de Oxalá), Iamassé (Mãe de xangô), Ia Awoyó (a mais antiga), Ia Maleleo (a de água doce) Ia Akurá (Que rege ressacas), Ia Apará (Irmã de Oxum Apará, esta qualidade é da Nação Nagô, vive nas águas doces).
LOGUN-EDÉ ORIXÁ
Orixá das matas, meta meta, filho de Oxossi-Ibualama e Oxum-Eponda, o termo meta meta, é que em um de seus Itás (mitologia dos orixás) conta que sendo ele filho de caçador e mãe que vive no rio passa parte do tempo com o pai e outra parte com a mãe, É sem dúvida o orixá mais caro para poder ser feito (raspagem de iaô), quando deste ato deve se dar comida aos três Orixás.
São conhecidas quatro qualidades (Coparemim, Abê, Nibaim, Bepalê), Sua cor predominante é o Azul Claro e o Amarelo Ouro, seu dia na semana é as quintas feiras, seu fetiche é um ofá de Oxossi e um Otá de Oxum, no sincretismo popular é representado por uma imagem de São Miguel Arcanjo, sua saudação Logun Oriki, seu habitat é em beiras de lagos. É sempre associado à riqueza como um todo.



YÁ MI OXORONGÁ
Não cultuadas como orixás, mas literalmente, nossas mães ancestrais, donas de todo o conhecimento e senhoras do feitiço, representantes da ancestralidade feminina da humanidade, as nossas mães feiticeiras, mas que entre nós são lembradas muito discretamente em ritos aos nossos antepassados celebrados em velhos candomblés.
Associadas as bruxas (Wicas) da Europa, Normalmente são em numero de três e seu poder pleno esta em seu pássaro que leva os feitiços, Dizem que é comum nas, casa em que não possuem o assentamento destas fazer seu ebó na casa de Bará, Há de se comentar que na Casa da Mina o Culto as Nochê Naé pode ser atribuído as figuras das mães ancestrais, muito mais esclarecido entre os iorubas..
Em um de seus itas é revelado que quando se está perseguido por elas o único capaz de nos salvar é Orunmilá, pois ele conhece, o segredo destas, a ele revelado por Exú.

ORUNMILÁ
Orunmilá ou Ifá é o conhecedor do destino dos homens, o que detém o saber do oráculo, o que ensina como resolver toda sorte de problema e aflição. Uma qualidade de Oxalá identificado por possuir caroços pelo corpo ou principalmente na cabeça. Os sacerdotes de Orunmilá na África, os Babalaô (Não são classificados dentro do candomblé, possuem uma seita Própria) sábios que usam seus mistérios para resolver problemas e curar pessoas, disputam com os sacerdotes de Ossaim o poder de curar os males da saúde.
Ifá se utiliza da corrente de ifá chamada de Opelé-Ifá, os cauris (Búzios) ou as sementes do dendezeiro, através destes consulta os Odus – Okoron, Ejiokomeji, etaogundá, Iorossum, Oxê, Obará, Odí, Ejionilê, Ossá, Ofun, Oawarim, Ejilaxeborá, Odioloban, Iká, Obeogundá, Alafia. Fá o Deus da advinhação no Fon não toma a cabeça de ninguém, e também não se utiliza de seus apetrechos conhecidos e sim utilizam-se de interpretar sonhos ou chamas de velas pelo menos na Casa da Mina.

IBEJIS - ERES
Entidades muito festejadas no Brasil, os gêmeos Ibejis, os Orixás crianças que presidem a infância e a fraternidade, a duplicidade e o lado infantil dos adultos. São entidades presentes em todos os feitos de santo, comumente chamados de êres, no sincretismo popular são Cosme e Damião e seu dia é todo o dia.
São oras filho de Iansã, ora filhos de Iemanjá, e de Oxum eram três (Taió e caiandê e Idoú).
Na Casa das Mina possui as figuras crianças e são elas que abrem as Cerimônias, mas diferente dos erês não possuem o habito de libertinagem, são eles aquelas que praticamente desapareceram como as Tobossis, ou os gêmeos filhos de Zomadonu (Toçá e Tocé)
LOGUN-EDÉ ORIXÁ
Orixá das matas, meta meta, filho de Oxossi-Ibualama e Oxum-Eponda, o termo meta meta, é que em um de seus Itás (mitologia dos orixás) conta que sendo ele filho de caçador e mãe que vive no rio passa parte do tempo com o pai e outra parte com a mãe, É sem dúvida o orixá mais caro para poder ser feito (raspagem de iaô), quando deste ato deve se dar comida aos três Orixás.
São conhecidas quatro qualidades (Coparemim, Abê, Nibaim, Bepalê), Sua cor predominante é o Azul Claro e o Amarelo Ouro, seu dia na semana é as quintas feiras, seu fetiche é um ofá de Oxossi e um Otá de Oxum, no sincretismo popular é representado por uma imagem de São Miguel Arcanjo, sua saudação Logun Oriki, seu habitat é em beiras de lagos. É sempre associado à riqueza como um todo.

QUE NINGUÉM É O DONO DA VERDADE ISSO VOCÊ JÁ SABE OU SE NÃO JÁ DEVERIA SABER!E

Peço desculpa aqueles que de alguma forma vinham mantendo contato com este blog, pois estive doente com uma  doença difícil de se acostumar com ela uma vez que os médicos dizem ser uma doença de que vai e volta (Tendinite no Nervo "Vago") que uma vez me atacou com tanta violência que me imaginei tendo um AVC, para resumir não consigo ficar muito tempo escrevendo, que logo o pescoço e as mãos começam a criar uma sensação muito desagradável e que a seguir causam uma dor muscular terrível.

Possuía eu o projeto de escrever mais dois livros de teor policial Assim como escrevi  " O  CRISTO OCIDENTAL" que relata a estoria de dois amigos que conheceram a mulher de suas vidas na mesma circunstancia, mas foram viver este amor em tempos diferentes, Os outros dois são o relato de um policial de uma força tarefa tipo o nosso GOE, estoria que começa na Cidade de Lisboa, e se estende após seu afastamento do grupo, com um amigo são recrutado por agentes SAS para integrar um exercito de mercenários que atuavam no Continente Africano, depois se foram para Rússia onde trabalharam para Máfia Rússia e após a morte de sua esposa e filha vem para América e vive mais quatro anos no Brasil onde finalmente e assassinado por uma discussão besta. O outro Trata-se de uma paixão por uma mulher que acaba se prostituindo nas Boates de Roma onde conhece um piloto aeronáutico e este a afasta desta vida e acaba tendo uma filha com esta e descobrindo que esta já fora casada e possuía mais dois filhos do primeiro casamento e ao querer se estabelecer no brasil vem morar no Rio de Janeiro e etc...

Quanto a minha vida espiritual tenho me afastado de meus conhecidos e vivendo só de contatos com meu Pai desculpe ele não gosta deste termo pai e sim prefere que o trate de orientador, Sr. Manoel Papai do Sítio do Pai Adão lá de Pernambuco, Nunca havia pensado em abrir uma Casa ou Roça de Candomblé, mas agora me passa pela cabeça a necessidade de possuir uma tenda de Umbanda para que possa auxiliar aquelas pessoas necessitadas de um esclarecimento de ordem espiritual. Toda via não estou deixando minhas obrigações de lado bem não que eu tenha que realizar qualquer obrigação destas comuns como de 7 ou 14 ou mesmo 21 como alguns praticam, nada disso. Quero agradecer a todos que aqui procuram algum esclarecimento e espero tenham encontrado então, mutumba para quem é de mutumba e mucuiu para quem é de mucuiu, Alafia para nos todos.  

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Muitas vezes é melhor ouvir ou ver de Outro aquilo que Nos Falando não dão Valor ou Seja o Santo de Casa é Difícil ser reconhecido.


Áwo Eko Iwá Rere: Ifá e o Código de Ética da Divinação.

by Da Ilha
O Ilè Iwá Pèlé sustenta o princípio da ética.
A frase yorùbá para a ética é:
"Eko iwa rere".
Que em tradução literal significa:
"Ensinando o bom caráter."
A formação dos sacerdotes de Ifá na África inclui Áwo Eko Iwá Rere, que são as diretrizes éticas para aqueles que trabalham com a adivinhação. Essas diretrizes não são um conjunto de regras, elas são uma expressão das expectativas comuns.
Na cultura yorùbá tradicional, existe a forte convicção de que Áwo (adivinho) tem o poder da palavra. Consequentemente, há uma expectativa comum de que eles não vão usar a sua voz para expressar palavrões e/ou linguagem chula.
Há também uma crença coletiva que o poder da palavra é suportado por uma boa saúde e higiene. Por esta razão, o Áwo vai comer e beber com moderação e manter o asseio diariamente.
O bem-estar de uma pessoa, afeta o bem-estar de toda a comunidade. É por esta razão que o Áwo sempre dará assistência a alguém que está em crise espiritual. Isto é verdadeiro, mesmo que a pessoa seja incapaz de pagar pelos serviços do Áwo.
No entanto, há também uma expectativa comum a quem é dado assistência pelo Áwo sem pagamento monetário, ele irá fornecer alguma forma de trabalho quer para o Áwo, quer para sua família.
Nós, do Ilè Iwá Pèlé às vezes prestamos serviços em troca de trabalho. A expectativa é que o suplicante irá cumprir os termos do acordo.
Uma dos mais fortes expectativas de um Áwo na cultura yorùbá é que o conteúdo da adivinhação permaneça confidencial. Uma violação a esta expectativa seria considerado um assunto muito grave e justificaria uma resolução através de Ògbóni (Conselho de Anciãos).
Essas expectativas não são tão fortes no Ocidente e por isso é quase impossível para um Áwo desenvolver um grande número de seguidores sem a estrita observância dos princípios gerais de: Áwo Eko Iwá Rere.
Essas diretrizes, no entanto, continuam a ser uma medida válida pela sinceridade e competência de quem usa a adivinhação como um método de comunicação com o òrìsà.

Por: Áwo Fatunmbi

sexta-feira, 14 de setembro de 2012


Uma linda homenagem aos nossos Caboclos. Meus Parabens!!!
A idéia com esse post é falarmos de Caboclos e que todos participem com informações e nos ajudem a formar um entendimento coeso, independente, sério.
Os  Caboclos de Pena são genuinamente brasileiros, os verdadeiros donos dessa terra chamada Brasil. Relendo um livro sobre cantigas de Umbanda e candomblé, me dei conta de como é rica a liturgia aos caboclos em geral, a miscigenação cultural/litúrgica/culto entre o Indio, Negro e o Branco.  Seus espíritos e rituais estão espalhados em várias nações do candomblé, fortemente na Umbanda e até de cultos próprios pois não dependem de ninguém.
Os Caboclos se dividem em diversas nações: Aimorés, Tupis, Tamoios, Guaranís, etc. Cada uma caracterizada por uma combinação de cores em geral. Interessante são as legiões de Caboclos oriundos de várias linhas e cada linha é constituída de  sete legiões, cada uma com seu chefe. A linhas de Xangô que inclui as legiões de: Iansã, caboclo Cachoeira, Pedra Branca, Caboclo do Sol, da Lua, Treme-Terra e caboclo do Vento. Na limha de Oxóssi estão as legiões de: Araribóia, Guaranís (chefiada por Araúna) Cabocla Jurema, cabocla das Sete encruzilhadas, Pele vermelhas (chefiada por Águia Branca, Tamaios e Urubatão. A linha de Ogun inclui as legiões de: Ogun Beira Mar (praias), Ogun Delei (linha de Malei da Quimbanda) Ogun Iára (rios), Ogun Matinata (campos), Ogun Megê ( linha das almas na Umbanda), Ogun Naruê (linha das almas Quimbanda), e Ogun Rompe-Mato (matas). Na linha de Yemanjá estão as legiões de: cabocla Iansã (chuvas/raios) , cabocla Iára (rios/mares), cabocla Indaiá (lagos), Cabocla Janaína (mar), cabocla Nanã (fontes), cabocla Oxun (cachoeiras), e Sereia (mar). Existem ainda uma infinidades de caboclos ligados a essas linhas, falangeiros da Jurema, capanguinhas, etc
Os Caboclos conhecem todos os segredos das forças da natureza, por isso sabem como descarregar um ambiente cheio de energias negativas, nocivas e como curar uma pessoa atingida por males físicos ou espirituais, usando as energias benéficas que nos cercam e o seu próprio poder esperitual.
Os Caboclos começaram a se manifestar nos candomblés de caboclo e nas mesas de Jurema do Catimbó, mais tarde tornaram-se um dos mais importantes grupos de de entidades da Umbanda. Em uma sessão de Umbanda, os Caboclos atendem aos fiéis fazendo passes e defumações, além de ensinar os remédios e dar os conselhos adequados a cada caso.
Por ser genuinamente brasileiro, os pontos são cantandos e compostos em portugues, daí a participação cultural do Branco.   Há um ponto que ratifica sua condição de sobrerano:
"Brasileiro, brasileiro (bis)
sou brasileiro Imperador, mais eu sou filho do Brasil!
se meu pai é brasileiro, minha mãe é brasileira
brasileiro o que é que eu sou?
sou brasileiro Imperador!"
Iyá Gisèle Omindarewá,  em seu livro "Awô o mistério dos Orixás", faz uma pequena e excelente aluzão aos  Caboclos e seus ritos: Os caboclos possuem características muito diferentes dos Orixás, e não passam por um aprendizado definido. Eles se comportam de maneira mais violenta e primitiva, e o estado de transe é muito agitado. Como sua conduta não está rigorosamente codificada, é posspível que ajam de modo bastante imprevisível...As suas personalidades refletem fielmente a imagem tradicional do Índio do Brasil...Ao se observar certas cantigas percebem-se a influência cultural do Negro e em especial do povo da costa de Angola, a misceginação Índio/Negro em vários pontos:
"O Luandê, o Lunda, Luanda é terra de caboclo o Luanda"
"Pedrinha miudinha da arunda ê, lagedo tão grande da aruanda ê"
Muitas casas de candomblé cultuam caboclos, porém, não dão crédito algum, fazem de portas fechadas, desconsiderando uma cultura brasileira enraizada no nosso cotidiano. É difícil entender esse comportamento das nações africanas e seus zeladores, afinal a terra é do Índio brasileiro, com seus ritos, mistérios e soberania, tem que pedir licença (agô) para pisar na terra, um alguidá com frutas, um cuité com vinho, um charuto acesso, tem até Orixá que gosta. Okê Caboclo! É só um carinho com o sultão das Matas, no pé do juremeira.
Alguns pontos de caboclos mais conhecidos.
Cabocla Jandira
"Seu cocar é de pena branca
ela é quem segura a gira (bis)
Saravá sua linda banda,
Saravá a cabocla Jandira" (bis)
Cabocla Jurema
Minha senhora lá das matas,
me diga quem mada aí (bís)
Venha pra perto ver, Dona Jurema é do arirí (bis)
Caboclo Arranca Tôco
Oi saravá Seu Arranca Tôco,
saravá seu bambi Odé,
oi que bamba o clime,
Oi que bambi Odé (bis)
Caboclo Cobra Coral
"Todos caboclos quando vem da mata
trazem na sinta uma cobra coral (bis)
É do seu cobra coral
oi era uma cobra coral."
Caboclo Pena Branca
"Com sua flexa de ouro, com seu bodoque de prata,
Ele é seu Pena Branca, caninana não lhe mata".
Caboclo Pena Verde
"Ele veio da sua mata, veio saravá o gongá,
Suassuna é pena Verde, aqui em qualquer lugar".
Cabocla Jacira
"Na fonte da água cristalina,
uma bela cabocla se mira,
Dos cabelos correm pérolas doradas,
Tá na gira a cabocla Jacira".
Um outro segmento de caboclos, são os Caboclos Boiadeiros e suas variantes, com a sua saudação: Xetro marrumbaxetro! Intruduzido dentro das casas de Angola, dentro dos sambas nas rodas de caboclo(sambangola), eles vem na linda da Jurema (relacionada ao catimbó) suas cantigas apresentam muitas referências aos reinos míticos do mundo encantado do Juremal, como Aldeia Nova, Hungria, Águas  Claras, Lajedo, Jequiriçá, Junssara, etc).  Exemplos:
Caboclo Boiadeiro
-" Lá na Hungria, lá na Hungria,
Lá na Hungria seu palácio é real,
Lá na Hungria,  lá na Hungria,
Na Hungria Boiadeiro é real". (bis)
-"Lá na Vila Nova, Lá na Vila Nova,
Na Vila Nova do seu Boiadeiro,
Lá na Vila Nova" . (bis)
Ponto de chamada de seu Boiadeiro
"Seu Boiadeiro sou quem lhe chama
vem atender meu chamado,
seu Boiadeiro sou eu que quem lhe chama,
tu és meu advogado".
Ponto barravento
A minha boiada é de 31 (bis)
já contei trinta ainda me falta um."
Ponto de louvação final
-"Deus lhe salve essa casa santa (bis)
Aonde Deus fez sua morada.
Aonde mora o cálice bento.
E a hóstia consagrada"
Temos aí a nesse ponto a catequese católica, interessante que não é sincretismo, é miscigenação cultural de sobrevivência e de amor  aos caboclos cultuados no Brasil.
Bibliografia e pesquisa: Eneida Gaspar do livro Cantigas de Umbanda e candomblé. Awô o Mistério dos Orixás de Gisèle Omindarewá e acervo cultural do Axé Osolufon-Íwìn.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Tenho lido alguns artigos e nunca tinha me atentado que todo material escrito sobre as diversas das condutas dos ODUS ou melhor falando sobre seus Itan, convergem para uma única instrução de nos fornecer maneiras de nos orientar nas situações da vida, e que só procuramos estas orientações isoladamente quando não encontramos estas soluções a nossas mãos. Então procuramos um amigo ou se já conhecemos as Religiões de origem Afro nos preocupamos em ouvir um Babalorixa para resolver os nossos problemas que parecem impossíveis de serem resolvidos. Mas a verdade é que este problema voce já convivia com ele a muito tempo sem voce perceber, ele fazia parte de sua vida. Estas situações estão em seu caminho muitas vezes representado pela sua conduta desavisada ou mesmo por acreditar que o literario de Ifá é algo a ser levado a sério somente pelos seus consagrados, não é bem assim os designos dos ODUS são para nós todos pois a nossa vida esta e sempre estara regida por ele que chamamos de caminhos, é muito comum ser comparado com nosso signo ocidental, não vamos descutir esta analogia e sim ponderar que é importante a nós conhecedores do corpo Literario de Ifá de procurar em nós mesmo sermos exemplo e explanifica-lo aos nossos (Yaos, Abians ou mesmo alguns mais velhos) e que o objetivo desta conduta pode em muito nos ajudar a mudar e nos tornar mais unidos e mais hulmides, Axé a todos.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

QUEM É E QUAL SUA FUNÇÃO DE UM BABALAWO

Gostaria de apresentar a conversação de dois Babalorixa quanto a função e o cargo de Babalawo, que no final chegam a um acordo ambos aceitando a posição um do outro, quanto esta figura tão incerta e não aceita pela maioria de Babalorixas que não procuram estudar as nossas raízes.

Da Ilha said on O Opelé e os Búzios não são jogo de Casino
July 13, 2011 at 2:29 pm
In response to Michelly de Castro on July 13, 2011 at 7:35 am:
Da Ilha e Fernando… ” Por mais afiada que seja a faca, ela não pode riscar seu próprio cabo ” Essa frase soa como uma sentença fatal, enfim, temos que optar. Ou fazer bem uma coisa ou outra, não é verdade? E eu que estudo tanto e não vou jogar opele nem ser babalawo, claro [...]
Michelly, prepare o ÓLEO DE PEROBA, VOCE PODE JOGAR OPELÈ IFÁ SIM. Dentro do Culto de Ifá, uma mulher pode se tornar uma Iyànifá, com todos os direitos de um Babalawo, existem algumas restrições, como manipular Ikins e na iniciação tem um ritual qvc não faz, mas isso é outra história. Minha casa inicia homens e mulheres no culto de Ifá, desde Isefá ( Primeira mão de ifá, o inicio do caminho onde é montado o igbá de Òrúmìlá), Iyànifá que já lhe falei e Babalawo. Portanto seus estudos e sua estrada não param nunca, é somente uma questão de querer e ser escolhido por Òrúnmìlá.
A frase a que vc se referiu não é como uma sentença, é uma parabola onde cada um tirará o ensinamento que encontrar. Eu vejo nesta frase o freio para as pessoas que querem ser Deus, as pessoas que querem abraçar o mundo e fazer tudo e cada um vai se encontrar nela.
Ire o.

Michelly de Castro said on O Opelé e os Búzios não são jogo de Casino
July 13, 2011 at 7:35 am
In response to Manuela on January 22, 2009 at 2:36 am:
Conseguir informação de Orunmilá sobre a vida de alguém, é importante demais para ser deixado a um simples deitar do Opelé, 16 búzios, cartas de tarot ou qualquer que seja o sistema de adivinhação utilizado. De acordo com o pensamento tradicional, qualquer pessoa com um Opelé e um livro dos Odús pode andar por aí [...]
Da Ilha e Fernando…
” Por mais afiada que seja a faca, ela não pode riscar seu próprio cabo ”
Essa frase soa como uma sentença fatal, enfim, temos que optar. Ou fazer bem uma coisa ou outra, não é verdade?
E eu que estudo tanto e não vou jogar opele nem ser babalawo, claro que eu não teria a cara de pau pra sair por aí dando consulta com opele…rs…
Porque mulher não pode?
heimm?

Fernando D'Osogiyan said on O Opelé e os Búzios não são jogo de Casino
July 12, 2011 at 7:46 pm
In response to Manuela on January 22, 2009 at 2:36 am:
Conseguir informação de Orunmilá sobre a vida de alguém, é importante demais para ser deixado a um simples deitar do Opelé, 16 búzios, cartas de tarot ou qualquer que seja o sistema de adivinhação utilizado. De acordo com o pensamento tradicional, qualquer pessoa com um Opelé e um livro dos Odús pode andar por aí [...]
Da Ilha,
Por isso que: “Por mais afiada que seja a faca, ela não pode riscar seu próprio cabo”
Particularmente não concordo, é muita coisa para a cabeça de uma pessoa, estudar durante anos à fio os 256 Odús, itans, parábolas, liturgias e toda aquela confraria que tem que dar satisfação, $, aos Ogbonis, ainda depois se iniciar para Orixá!Até chegar através de obrigações, odun ijê e receber a cuia ou deká de Babalorixá. Uma coisa ou outra, ou bem seja um excelente Oluwò ou um excelente Olorisá. No Ketu/Nagô o Babalorixá apura o Orixá, descobre sua raiz, identifica e qualifica, passam anos aprendendo a entender porque se enrola o acaçá na folha de bananeira para Oxalá já que esta folha é de Exú.
“Mãos perfeitas e escolhidas para cada função”
Mo juba axé.


Da Ilha said on O Opelé e os Búzios não são jogo de Casino
July 12, 2011 at 7:05 pm
In response to Fernando D'Osogiyan on July 12, 2011 at 6:16 pm:
Da Ilha, Bem sabemos que o advinho que manipulava o Ifá era denominado por Babalawo de: Babá (pai) + Li ( que tem) + àwo (segredo) era a autoridade máxima do sistema religioso Yorubá, principalmente em Ifé, onde existiam os Babalawos Àwoni com seus irukeres, Opá Orèrè e até usavam Ekudidé, esse liturgia só existiu [...]
Bàbá Fernando, correto, mas é bom informar aos nossos internautas que o cargo de Babalawo puro e simples, sem iniciação em òrìsá não lhe permite mexer na cabeça de niguém.
Basicamente um Bori onde se invoca o Odu e o adimu, (comidas para os òrìsás), pois tem gente por ai iniciada em Babalawo, não é sacerdote de òrìsá e quer fazer iniciação por pura ganancia.
Portanto, o Babalawo tem que ter duas familias, a de òrìsá e a de Ifá, se não tiver é errado querer atuar nas duas frentes.
Mo juba Olorisá.

Fernando D'Osogiyan said on O Opelé e os Búzios não são jogo de Casino
July 12, 2011 at 6:16 pm
In response to Manuela on January 22, 2009 at 2:36 am:
Conseguir informação de Orunmilá sobre a vida de alguém, é importante demais para ser deixado a um simples deitar do Opelé, 16 búzios, cartas de tarot ou qualquer que seja o sistema de adivinhação utilizado. De acordo com o pensamento tradicional, qualquer pessoa com um Opelé e um livro dos Odús pode andar por aí [...]
Da Ilha,
Bem sabemos que o advinho que manipulava o Ifá era denominado por Babalawo de: Babá (pai) + Li ( que tem) + àwo (segredo) era a autoridade máxima do sistema religioso Yorubá, principalmente em Ifé, onde existiam os Babalawos Àwoni com seus irukeres, Opá Orèrè e até usavam Ekudidé, esse liturgia só existiu em Ilê Ifé. (antes que algum babalawo comece a usar o Ekodidé)
Segundo Willian Bascon, …o Babalawo era uma autoridade religiosa que deve ter conhecimento acerca de todas as Divindades Yorubá e não meramente daquela que ele pessoalmente reverencia, funcionando para a massa de fiéis e também para os outros sacerdotes de divindades diferentes. Ele ajuda os fiéis a tratar com amplo espectro de forças personificadas ou impessoais em que os Yorubás acreditam e a consumar, através da Divinação Ifá, os destinos individuais que lhes forem consignados por escolha própria desde o nascimento.
” Obé Ti o mu ki gbé kuku ará ré”
“Por mais afiada que seja a faca, ela não pode riscar seu próprio cabo”
Mo Juba omo-Ifá.

Da Ilha said on O Opelé e os Búzios não são jogo de Casino
July 12, 2011 at 4:33 pm
In response to Manuela on January 22, 2009 at 2:36 am:
Conseguir informação de Orunmilá sobre a vida de alguém, é importante demais para ser deixado a um simples deitar do Opelé, 16 búzios, cartas de tarot ou qualquer que seja o sistema de adivinhação utilizado. De acordo com o pensamento tradicional, qualquer pessoa com um Opelé e um livro dos Odús pode andar por aí [...]
Bàbá Fernando, ago, complementando com minha opinião, qualquer Babalawo, Oluwo ou Arabá (posto mais alto no culto de Ifá), pode e deveria ser iniciado no culto de òrìsá, pois esta experiência lhe daria um foco mais apurado do que ele já tem e lhe credenciaria a ir um pouco mais longe ao mexer com òrìsá. Concordo que na verdade o correto é o Babalawo ver caminhos de Odu e fazer os ebós no neófito e depois o Olorisá (zelador) cuidar da iniciação do mesmo.
A mão esquerda não se limpa sem ajuda da direita. Ogbe-meji.
Mo juba Olorisá.
Ire o.

Fernando D'Osogiyan said on O Opelé e os Búzios não são jogo de Casino
July 12, 2011 at 4:20 pm
In response to Manuela on January 22, 2009 at 2:36 am:
Conseguir informação de Orunmilá sobre a vida de alguém, é importante demais para ser deixado a um simples deitar do Opelé, 16 búzios, cartas de tarot ou qualquer que seja o sistema de adivinhação utilizado. De acordo com o pensamento tradicional, qualquer pessoa com um Opelé e um livro dos Odús pode andar por aí [...]
Michelly,
Seu comentário é ótimo e concordo em genero, número e grau.
Babalawo também tem comunhão com Orisá, pode cantar pra ele, dançar pra ele, vestir o seu orisá.O que impede isso?
Apenas acrescento:
Nada impede que isso aconteça por que os Babalawos tem seus Babalorixás, assim como os Babalorixás tem seus Babalawos, ambos se completam.
Assim também é o culto a Egungun ou quando de um Axexe, quando Babalawos e Babalorixas precisam dos Alapinis e Ojês para os sacrifícios a Egungun e toda liturgia e os memos precisam de seus babalawos e babalorixás.
Mãos perfeitas e escolhidas para cada função.
“Porque nem tudo que se faz pode permancer escondido”. Máxima do Odú Ìwòrì Ogbé.
Axé.

sábado, 5 de novembro de 2011

GRANDES PERSONAGENS DO CANDOMBLÉ-PAI ADÃO




GRANDES NOMES DO CANDOMBLÉ – PAI ADÃO

Felipe Sabino da Costa - Pai Adão - (1877-1936), foi o quartobabalorixá do Terreiro Obá Ogunté também conhecido como Sitio de Pai Adão faz parte do Xango do Recife localizado em Recife,Pernambuco. Esse terreiro é a mais antiga casa de culto Nagô dePernambuco, fundado pela Tia Ignês Ifatinuké, africana, junto a grandes sacerdotes do culto nagô como Otolú Byioká, Zé Quirino, Silveirinha, Obarindê, Apary, Xangô Lary (tantos outros que não podem ser invisibilisados por suas contribuções históricas) foi tombado peloPatrimônio histórico de Pernambuco.
Conta-se ali no Sítio, que Tia Inês uma negra alforriada comprou aquele pedaço de terra para abrigar alguns necessitados e poder praticar o seu Culto Nagô, e para tanto fez construir uma pequena capela dedicada a Santa Ana e por detrás do altar cultuava os Orixás. Como também incentivou o pai de Felipe a irem a África e se aperfeiçoarem seus conhecimentos do Culto e também de lá trazerem alguns objetos e sementes de plantas sagradas como uma Gameleira branca (Iroco) ainda hoje esta no Sitio e assim Felipe quando assumiu o posto de Babalorixa deu uma personalidade totalmente diferente ao praticado nas outras casas da época, sendo que os babalorixas anteriores sempre foram de sua família, e hoje está nas mãos de seu neto, Manoel da Costa de Iemanjá Ogunté.

GRANDES PERSONAGENS DO CANDOMBLÉ - AGENOR MIRANDA



Agenor Miranda Rocha, o Pai Agenor, (Luanda, Angola, 8 de setembro de 1907 — Rio de Janeiro, 17 de julho de 2004) foi um babalaô da Religião dos Orixás Candomblé.
Foi iniciado na cidade do Rio de Janeiro, em tenra idade, para o orixá Euá (Iyewá) pelo africano Alagbedé e posteriormente, ainda na infância para Oxalá por Mãe Aninha,Iya Obá Biyi Iyalorixá fundadora dos terreiros Axé Opô Afonjá de Salvador e do Rio de Janeiro cujo primeiro endenreço era na chamada "Pedra do Sal". Hoje o Opô Afonjá do Rio se localiza em Coelho da Rocha.
O Professor Agenor, como era conhecido, foi professor catedrático aposentado do Colégio Pedro II, nas cadeiras de matemática e latim, cantor lírico (seguindo os passos de sua mãe, o soprano Zulmira Miranda e babalaô adivinho na referida tradição religiosa candomblé, um dos ocidentais mais conhecedores de a herança e a Cultura afro-brasileira, além de talvez uma das mais respeitadas personalidades religiosas por todas as lideranças de tradicionais terreiros do Brasil. Foi o jogo de búzios (meridilogun)do Prof. Agenor que decidiu a sucessão de importantes terreiros: Mãe Oké e Mãe Tatá, na Casa Branca do Engenho Velho; Mãe Stella, no Axé Opô Afonjá; Mãe Índia, no Terreiro do Bogun (o último grande jogo de sucessão antes do falecimento do professor). Agenor Miranda também foi poeta e musicista. Seu jogo de búzios foi um dos mais procurados do país. O velho professor foi orientador espiritual e conselheiro de personalidades de diferentes procedências religiosas e de muitos babalorixás, a exemplo do Babá Augusto César de Logunedé.
[editar]Documentário: um vento sagrado

Foi publicada no Jornal Diário de São Paulo a matéria O zelador dos orixás na tela, feita pelo jornalista Marcos Pinho - Um Vento Sagrado, do diretor e artista plástico baiano Walter Lima, o trabalho conta a história de Pai Agenor, um dos mais importantes nomes do candomblé no país. O trabalho de pesquisa consumiu mais de três anos de viagens, pesquisas e gravações no Rio de Janeiro] Salvador, São Paulo e Roma.
O filme (Brasil, 2001, 93 min.), mostra Pai Agenor em sua casa no Engenho Novo, subúrbio do Rio de Janeiro, onde figuram desde imagens de São Francisco e Buda até de Oxalá e outras divindades do candomblé. É no local que ele recebe visitantes em busca de aconselhamento e joga búzios.
Suas declarações são desconcertantes. “A força do candomblé está no sangue verde das plantas e não no sangue vermelho dos animais”, comenta para condenar os sacrifícios em cultos.
Professor aposentado, poeta, ensaísta, cantor de ópera e de fado, Pai Agenor é um homem múltiplo e incomum. “Ele é talvez a última das grandes figuras do candomblé”, afirma Gilberto Gil. O retrato pintado por Walter Lima é o de um ser de personalidade instigante cujas opiniões são sempre respeitadas. Até hoje ele é convocado para escolher a mãe-de-santo nos grandes terreiros baianos.
A fita mostra ainda o biografado sendo recebido pelo Papa em Roma e inclui poemas nas vozes de atores como Alessandra Negrini, Ingrid Guimarães e Camila Amado, além da narração de Othon Bastos.
Amante da música, talvez por influência de sua mãe, a fadista portuguesa Zulmira Miranda, cuja história está registrada na Casa do Fado e da guitarra portuguesa, Agenor fez uma incursão como cantor no mundo da música. Há alguns anos foram recuperadas algumas de suas antigas gravações e hoje circula nas mãos de seus amigos e admiradores cds onde ele canta fados, canções italianas e músicas clássicas.
Amante da poesia e teve dois livros publicados ainda em vida, "Poemas Infantis", em 1999, e "Oferenda - como a flor que se oculta entre as folhas", em 1998, pela Editora Sete Letras, traduzido na Espanha e editado pela Algorán Poesia, em 2001.
Seus poemas foram muito bem recebidos por serem, além de belos, expressão de um grande conhecimento também nesta arte. Tinha muitos amigos e admiradores, muitos alunos, e para todos estes deixou ainda o livro "Caderno de Português", em 2000, escrito logo após uma intervenção cirúrgica bastante séria.
Faleceu em 2004, vitimado principalmente pelo agravamento de um simples caso infeccioso, uma vez que não conseguiu ser tratado a tempo em condições necessárias. Deixou muitos amigos e filhos em todas as partes do Brasil e no exterior, todos saudosos e consternados, principalmente por não terem podido ajudá-lo e intervir para que pudesse completar com "saúde e paz", como gostava de dizer, os seus almejados 100 anos de existência, que será,lembrado e comemorado por toda parte, com devoção, no 8 de setembro de 2007.
Dentre as homenagens que recebeu está a Medalha Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro.
Sobre ele há uma primorosa biografia: "Um vento sagrado", editado pela Editora Mauad e de autoria de Muniz Sodré e Luis Filipe de Lima.
[editar]Livros

Caminhos de Odu, Pallas, 1999 - ISBN 853470273X
As Nações Kêtu, ISBN 8574780189
Desenredos, ISBN 857478060X
Biografia: Pai Agenor - Diógenes Rebouças Filho (Coleção Passagens da Memória, vol.1 / 1997)

GRANDES PERSONAGENS DO CANDOMBLÉ - MESTRE DIDI

Seu pai Arsenio dos Santos, pertencia à "elite" dos alfaiates da Bahia, mais tarde iria transferir-se para o Rio de Janeiro na época em que houve uma grande migração de baianos para a então capital do Brasil.
Sua mãe Maria Bibiana do Espírito Santo, mais conhecida como Mãe Senhora era descendente da tradicional família Asipa, originária de Oyo e Ketu, importantes cidades do império Yoruba. Sua trisavó, Sra. Marcelina da Silva, Oba Tossi, foi uma das fundadoras da primeira casa de tradição nagô de candomblé na Bahia, o Ilê Ase Aira Intile, depois Ilê Iya Nassô. Sua esposa Juana Elbein dos Santos, é antropóloga e companheira em todas as suas viagens pelo exterior, aos países da África, Europa e Américas, de grande importância pelos intercâmbios e experiências adquiridas, e que irão contribuir significativamente para os desdobramentos institucionais de luta de afirmação da tradição afro-brasileira e pelo respeito aos direitos à alteridade e identidade própria. Sua filha Inaicyra Falcão dos Santos é cantora lírica, graduada em dança pela Universidade Federal da Bahia, professora doutora, pesquisadora das tradições africano-brasileiras, na educação e nas artes performáticas no Departamento de Artes Corporais da Unicamp.
[editar]Sacerdote

A igreja durante o período colonial e pós-colonial foi uma instituição de que a comunidade descendente de africanos inseriu em suas estratégias de luta pela alforria e re-agrupamento social. Didi foi batizado, fez primeira comunhão e foi coroinha. Mais tarde, já sacerdote da tradição afro-brasileira foi se dedicando inteiramente a ela afastando-se do catolicismo, embora respeitando-o como uma outra religião. Eugenia Ana dos Santos - Mãe Aninha, tratada por Didi como avó, foi quem o iniciou no culto aos Orixás e lhe deu o título de Assogba, Supremo Sacerdote do Culto de Obaluaiyê.
Arsenio Ferreira dos Santos era sobrinho de Marcos Theodoro Pimentel, o Alapini, primeiro mestre de Didi no Culto aos Egungun, os ancestrais masculinos, tradição originária de Oyo, capital do império Yoruba.
Depois de Marcos, foi Arsenio, conhecido por Paizinho quem deu continuidade a iniciação de Didi, que se confirmou Ojé com o título de Korikowe Olokotun. A herança de tio Marcos Alapini se constitui sobretudo pelo culto ao olori Egun, baba Olukotun, o mais antigo ancestral que foi trazido da África na ocasião da viagem que fez com seu pai, Marcos O Velho. Paizinho, então Alagbá, o mais antigo da tradição aos Egungun recebeu esta herança que aproximou à do terreiro Ilê Agboulá na Ilha de Itaparica.
A herança de Marcos Alapini, para seu sobrinho Arsenio Alagba passou para Didi, Ojé Korikowe Olukotun. Mais tarde Didi recebeu o título de Alapini, o mais alto do Culto aos Egungun, no Ilê Agboula e anos depois, em 1980 fundou o Ilê Asipa onde é cultuado o Baba Olukotun e demais Eguns desta tradição antiga.
Em setembro de 1970, não tendo no Brasil quem pudesse fazer sua confirmação de Balé Xangô, foi para Oyo e realiza a obrigação na cidade originária do culto à Xangô. A cerimônia foi realizada pelo Balé Sàngó e o Otun Balé do reino de Xangô de Oyo.
[editar]Artista

"Os Orixá do Panteão da Terra são os que nos alimentam e nos ajudam a manter a vida. Os meus trabalhos estão inspirados na natureza, na Mãe Terra-Lama, representada pela Orixá Nanã, patrona da agritultura". Mestre Didi
"Mestre Didi é um sacerdote-artista. Exprime, através da criação estética, uma arraigada intimidade com seu universo existencial, onde ancestralidade e visão de mundo africanos se fundem com sua experiência de vida baiana. Completamente integrado ao universo nagô de origem yorubana, revela em suas obras uma inspiração mítica, material. A linguagem nagô com a qual se expressa é o discurso sobre a experiência do sagrado, que se manifesta por meio de uma simbologia formal de caráter estético". Juana Elbein dos Santos
[editar]Obra

Yorubá tal Qual se Fala, Tipografia Moderna, Bahia, 1950
Contos Negros da Bahia, (Brasil) Edições GRD, Rio de Janeiro, 1961
História de Um Terreiro Nagô, 1.edição, Instituto Brasileiro de Estudos Afro-Asiáticos, 1962, 2.edição, Editora Max Limonad, 1988
Contos de Nagô, Edições GRD, Rio de Janeiro, 1963
Porque Oxalá usa Ekodidé, Ed. Cavaleiro da Lua, 1966
Contos Crioulos da Bahia, Ed. Vozes, Petrópolis, 1976
Contos de Mestre Didi, Ed. Codecri, Rio de Janeiro, 1981
Xangô, el guerrero conquistador y otros cuentos de Bahia, SD. Ediciones Silva Diaz, Buenos Aires, Argentina, 1987
Contes noirs de Bahia, tradução francesa de Lyne Stone, Ed. Karthale, 1987
História da Criação do Mundo, Olinda, PE, 1988 - Ilustração Adão Pinheiro
Ancestralidade Africana no Brasil, Mestre Didi: 80 anos, organizado por Juana Elbein dos Santos, SECNEB, Salvador, Bahia, 1997, CD-ROM - Ancestralidade Africana no Brasil
Pluraridade Cultural e Educação
Nossos Ancestrais e o Terreiro
Democracia e Diversidade Humana: Desafio Contemporâneo

CANDOMBLÉ JEJE MAHI - GAIAKU LUIZA



Luiza Franquelina da Rocha nasceu em 25 de agosto de 1909, em Cachoeira, cidade do Recôncavo Baiano. Sua mãe chamava-se Cecília, negra, descendente de escravos e iniciada para Yemonjá em Feira de Santana/BA, vindo a falecer com 105 anos. Seu pai chamava Miguel, negro, também descendente de escravos e foi confirmado Kpenjigàn na Roça de Ventura (Kwe Sejá Húnde), candomblé Jeje em Cachoeira, por Gaiaku Maria Ogorensì de Gbèsén. Faleceu aos 86 anos. Sua irmã carnal, Joana, foi iniciada para o vodun Azansú por Gaiaku Pararasì, na Roça de Ventura. Suas primas foram iniciadas como Ekedi por Sinha Abali, também na Roça de Ventura. A avó paterna de Gaiaku chamava-se Maria Galdência da Conceição e sua bisavó era uma negra africana chamada Malakê, filha de Sàngó, que chegou a Cachoeira em torno de 1820, amar rada em um porão de navio, para ser escrava de uma branca por nome Pombinha Rosalva, que lhe batizou com o nome de Maria Felicidade da Conceição.

Gaiaku Luiza que é bisneta de africano e foi nascida e criada dentro do candomblé aonde chegou a morar dentro da Roça de Ventura. Teve contato com as velhas tias do candomblé que lhe ensinaram muita coisa. Em 1937 Gaiaku Luiza é iniciada para Oyá na nação ketu, no Ilé Ibecê Alaketu Àse Ògún Medjèdjè, do famoso Babalorixá Manoel Cerqueira de Amorin, mais conhecido como Nezinho de Ògún, ou Nezinho da Muritiba, filho-de-santo de Mãe Menininha do Gantois. Por motivos particulares, após 2 anos Gaiaku Luiza se afasta da Roça deste ilustre Babalorixá. Foi Sinhá Abali, segunda Gaiaku a governar a Roça de Ventura, quem viu que Gaiaku Luiza deveria ser iniciada no Jeje, nação de toda sua família, e não no Ketu. Assim, encarrega sua irmã-de-santo Kpòsúsì Romaninha, de sua inteira confiança, a iniciar Ga iaku Luiza no Terreiro Zòògodò Bogun Malè Hùndo, em Salvador. Em 1944, Gaiaku Luiza é iniciada na nação Jeje sendo a terceira a compor um barco de 3 vodunsìs. Seu barco foi constituído por uma Osún, um Azansú e uma Oyá.

Gaiaku Luiza foi uma das poucas Vodunsìs, na Bahia, que ousaram abrir uma roça de candomblé jeje-mahi. Isso ocorreu em 1952, num período em que não era comum tal prática dentro do culto jeje. Na época, supõe-se que existiam somente dois terreiros jeje-mahi na Bahia, que eram o Zòògodò Bogun Malè Hùndo (Terreiro do Bogun), em Salvador, e a Roça de Ventura (Sejá Hundê) , em Cachoeira. Com a autorização e participação de sua mãe-de-santo Kpòsúsì Romaninha, dona Luiza abriu um terreiro jeje-mahi, tornando-se, então, uma Gaiaku.

A iniciação de Gaiaku Luiza foi no Bogun. Ela chegou no Bogun no dia 9 de agosto de 1944 e só voltou para casa em 1945. Segundo depoimento da própria Gaiaku Luiza, quem comandava o Bogum naquela época era Gaiaku Emiliana, pertencente ao vodun Agué.

Foi nesse contexto que Gaiaku Luiza plantou o axé do Hùnkpámè Ayono Huntoloji. Ela narrava que:

“Em 1948, minha mãe Oyá começou a reclamar que não queria que batesse candomblé ali (casa no bairro da Liberdade). Ela passou a querer uma roça onde houvesse água, árvores frutíferas e que fosse perto da linha férrea. Saí procurando uma roça para comprar, mas não encontrava. No dia 2 de novembro, eu já estava saindo para minha procura, quando minha mãe carnal falou: ‘Logo hoje, minha filha, dia de finados’ Eu respondi: ‘Quem sabe, mamãe, os espíritos de luz me ajudam?’ Saímos eu e Delza sem destino, fomos parar em Almeida Brandão. Passamos por ponte, estrada de ferro e nada de encontrar. Adiante, vi uma placa, quando chegamos perto não era uma placa de venda, dizia o seguinte: prenda sua galinha que a roça tem veneno. Delza dizia: ‘Minha velha, vamos embora, esta chuviscando e não vamos acha r nada.’ Quando estávamos voltando e já estava anoitecendo, vi uma placa, mas não conseguia enxergar porque já estava escuro, chegamos mais perto e a placa era de vende-se. Descemos até o portão velho e caído, aí apareceu uma “Dan” (cobra), eu então falei: olha Delza esta roça vai ser nossa. A roça ficava num lugar chamado Cabrito. Começamos a gritar e de repente apareceu um velho, pé hoje e pé amanhã. Ele se aproximou perguntando se queríamos comprar frutas, eu respondi que queria comprar a roça. Era tanta “Dan”, que havia na roça que você pisava e sentia elas por baixo das folhas. Deixei tudo acertado com o velho e marcamos a negociação. Foi uma venda rápida. No dia 2 de novembro a roça já era minha verbalmente. O casal de velhos ainda ficou morando na roça por algum tempo. A velha, dona Maria era de Oyá e o velho era de Azansú. Mudei para a roça em 1950. Foi muito difícil morar ali, no começo. Não conhecia ninguém, sozinha ali, jog ada, morando naquela casinha de palha. Comi uma roxura! Comendo zinco e arrotando semânio. A inauguração da roça, em 1952, sob a permissão de Gaiaku Kpòsúsì Romaninha, foi com uma festa para Azansú, o dono da casa, e foi muita gente prestigiar. A roça recebeu o nome de Humpame Ayono Huntoloji.”

Em 1962, a roça é transferida para um local denominado Alto da Levada, próximo ao bairro do Caquende, na cidade de Cachoeira, onde permanece até hoje.

Em 20 de junho de 2005, Luiza Franquelina da Rocha, ou Gaiaku Luiza de Oyá faleceu, aos 96 anos de idade. Considerada uma das mais importantes sacerdotisas do culto afro-religioso jeje-mahi do Brasil e possuidora de uma sabedoria inigualável. Faleceu em Cachoeira, na sua roça, cercada de filhos-de-santo, amigos e familiares, como ela sempre quis e costuma dizer: “Mãe-de-santo tem que morrer dentro de sua roça”. Foi determinado, ainda em vida pela falecida, que a herdeira do posto de dirigente sacerdotal do terreiro seria sua sobrinha carnal, Regina Maria da Rocha. Dofona Regina - hoje chamada Gaiakú Regina Avimajesì - foi iniciada no Hùnkpámè Hùntóloji, num barco de 3 Vodunsìs, para o Vodun Avimaje.



-Texto extraído e readaptado do livro “Gaiaku Luiza e a trajetória do jeje-mahi”, escrito por Marcos Carvalho (Mejitó Marcos de Gbèsén), filho de santo de Gaiaku Luiza.

O DESCONHECIMENTO OU IGNORÂNCIA E QUE NOS TRAZ O MÊDO

O Kimbanda é um herbalista (que pesquisa plantas curadoras) ou curandeiro epiritual em muitas sociedades africanas e também em muitas sociedades da diáspora africana, tais como aquelas no Haiti, Cuba e Brasil.
Outro termo que designa o curandeiro da tribo é Nganga, que em determinado momento, em parte do território Banto, na África do Sul, acabou ganhando o significado totalmente ao contrário, como se o mesmo se tratasse de um "feiticeiro mal", e não o seu termo original, que é tido como um benfeitor da tribo.
O Kimbanda é bastante familiarizado com muitas das causas físicas das doenças, e utiliza ervas e plantas da medicina popular em sua prática médica. O tratamento, porém, costuma ser sempre acompanhado de amuletos e fórmulas mágicas para controlar os espíritos maus. É uma crença comum a existência de feiticeiros, pessoas que tentam fazer o mal aos outros usando, por exemplo, magias maléficas.
A tarefa do curandeiro é anular o feitiço empregando os mesmos métodos magísticos.
Os efeitos que o Kimbanda atribui aos medicamentos são devidos não somente às propriedades reais dos elementos naturais (pantas, por exemplo), mas também e sobretudo, à força simbólica desses mesmos elementos.

KIM: Médico ou sacerdote dos Cultos bantos.
BANDA: Lugar ou cidade.

KIMBANDA - O CURANDEIRO.

Artigo: Renato da Silveira
Professor da Universidade Federal da Bahia
Doutor em Antropologia pela E.H.E.S.S de Paris

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

GRANDES PERSONAGENS DO CANDOMBLÉ



Postarei uma matéria veiculada por um jornal que nos conta um pouco sobre esta riquíssima fonte de sabedoria e cultura dentro do nosso culto de òrìsá. Tenho muito orgulho de ter participado por quinze anos desta família, minha mãe, da qual me orgulho muito e seu irmão são filhos deste àse, fizeram parte do primeiro barco de Dª Regina, mo juba esa.

MATÉRIA JORNAL ICAPRA ''CANDOMBLÉ PERDE SUA IYÀ ÀGBÀ DA FAMÍLIA BAMGBOSE OBTICO''.

Por: Prof. J. Benistes



Rodolfo Sawser

Uma das últimas Iyálorisas, pertencente a uma rica geração de matriarcas plenamente identificada com as rígidas normas do Candomblé. Regina Topázio de Souza, mais conhecida como Mãe Regina de Bamgbose, foi sempre consciente de suas origens, sabendo preservar com extrema autoridade, uma vida exemplar a ser seguida pelos seus descendentes e merecedora de estudos por ser parte integrante da história dos Candomblés do Brasil.

Sua biografia se reporta aos ancestrais familiares que viveram há mais de 200 anos no Brasil, sempre dedicados a criar uma vida de trabalho e de devoção total às crenças de seus antepassados. Foram tão competentes que influenciaram as demais raízes do Candomblé. A memória coletiva revela que Ìyá Násò, depois de organizar os primeiros momentos do Candomblé do Engenho Velho, em Salvador, resolveu ir para a África juntamente com Oba Tósí, Marcelina da Silva, por volta de 1837. Após 7 anos de permanência, retorna trazendo alguns africanos, entre eles, Bamgbose de Sàngo, que aqui no Brasil tomou o nome civil de Rodolpho Martins de Andrade, e que seria o patriarca de numerosos descendentes. Numa época escravocrata, assumiu condições de trabalho, como forma de ter e lhe dar condições na organização do culto, conforme desejo de todos.
A sua vinda foi de uma importância fundamental para o grupo que estava sendo formado, tentando dar forma a um modelo de ritual dentro de um padrão de possível aceitação na nova terra. Era um grupo ligado ao culto de Sàngo, como Iya Naso, Rodolpho Obitico, Joaquim Oba Sanya, Marcelina Oba Tosi e Aninha Oba Biyi, entre outros. Isto fez com que a participação deste Orisá nos ritos religiosos se tornasse relevante, com possível razão pela inclusão do Osú, como símbolo da iniciação, o uso do ileke, o obrigatório Àmàlà semanal e a seqüência de cânticos denominada Roda de Sàngo, ponto de partida para a manifestação dos demais Orisas.

Conhecido e citado como Bamgbose (Ajuda-me a carregar o Ose) viria a ser reverenciado como Obitiko, (A família que se reúne), na relação dos ancestrais citados durante o ritual de Ipade, ao lado de Asika, Ajadi, Oduro, Kayode, Adeta Okanlede e demais personagens importantes da ancestralidade afro-brasileira. Os nomes dos homens aqui relacionados possuem muita importância, pois os antigos Babalawos eram considerados como irmãos das mães de santo e, assim, vistos como Tios merecedores do maior respeito e reverencia. Tinham eles entrados franca em todas as comunidades e sempre consultado. Eram raros, e não como nos dias atuais. Rodolpho Bamgbose aqui teve vários filhos, sendo que uma de suas filhas viria a dar sentido à família Bamgbose. Julia Maria de Andrade, falecida em 1925 e conhecida como Vovó Julia de Sàngo Aganjú, cujo nome iniciático era Oba Dára (O bom rei). Casou-se com Eduardo Américo de Souza Gomes, um africano natural de Abeokuta, onde nasceu em 1833, e para lá tendo voltado. Um dos filhos do casal seria personagem importante na linhagem religiosa, Felisberto Nazarenos Sowzer, ou Souza, de Ogunjá, iniciado por um tio, Ewetundé, cujo nome dado foi Oguntosí (Ogun é digno, poderoso). Outro filho foi para a Nigéria e não retornou.

Em uma de suas visitas ao Rio, em 1886, Bamgbose, juntamente com Joaquim Vieira e Aninha, organizou um grupo no Bairro da Saúde, num local de reunião de antigos cativos e libertos, talvez um antigo Zungu, deixando alguns símbolos e pedras ligados a Sàngo, que viria fazer parte da história do futuro Axé Opo Afonjá, do Rio. Em uma viagem de Recife para Salvador, passou mal vindo a falecer em Salvador, em 1908. Felisberto, que ficou conhecido como Benzinho, nasceu em Lagos, na Nigéria, vinda criança para o Brasil, tornou a voltar para a África e mais tarde retornando como Babalawo Ifásesi. Talvez seja que neste transito o seu sobrenome Souza. Era inteligente instruí, pois sabia falar inglês e nagô. Passou a viver com uma senhora africana chamada Damásia com quem teve duas filhas, Tertuliana Sowzer de Jesus, iniciada para Ibualámo Ode Tibuse, e Caetana Américo de Souza, já falecida, e que fez Osun Iyeponda. Fundou o Ilê Axé Lajuomin em 1941, em Salvador. Air Jose de Souza de Osogiyan Iwin Solá (Osoguiyan gerou a honra e prosperidade). Filho carnal de Tertuliana e iniciado por Caetana, sua tia viria a fundar, em Salvador, o Ilè Odo Oje, Casa do Pilão de Prata, em 1964. Caetana tem seu rosto esculpido em bronze com o título de Mãe Preta, na frente do Terreiro.

Em seu segundo casamento, com uma filha de Santo de Vovó Júlia, teve quatro filhos: Crispim de Souza, de Osoosi, Taurino de Souza de Obatalá, Regina Topázio de Souza, nascida em 1914, de Yemonja Oguntè, com o nome iniciático de Omi Olà (As águas da fortuna, da riqueza), e Irene Souza dos Santos, nascida em 1919, de Sàngo, cujo nome dado foi Oba Dipo (O rei ocupa o seu lugar), e que teve como Mãe-Pequena, Aninha Oba Biyi. Regina com 6 anos de idade, e Caetana com 13 anos foram iniciadas num mesmo barco, pelas mãos de Judith de Oya, uma filha de santo de Benzinho. Vindo para o Rio, no início do século passado, Benzinho passou a exercer suas atividades na Rua Marques de Sapucaí, no centro da cidade, e depois, na Rua Navarro, no Catumbi. Aqui viveu na mesma época de Abedé, Alágba, Pequena de Osalá e Aninha que aqui estava tendo ambos feitos o ajejê de Abedé em 1933. Foram os autores dos textos da Fecundação os Odús, um sistema de jogo de búzios, mais prático do que o intrincado sistema de ifá, devidamente adaptado à nossa realidade. Todos os Caminhos para a prática do jogo foram legados os seus filhos, tendo sido, mais tarde, adotado por todos que se utilizavam da prática do jogo por Odú.

Benzinho Bamgbose morreu no Rio, em 1943, com 6 anos de idade, tendo mais tarde seu corpo sido transferido para Salvador no mesmo cemitério onde seu avô foi enterrado na Igreja do Pelourinho. Seus descendentes, Caetana e Irene, abriram casa em Salvador; Regina de Yemonja ficou no Rio e abriu sua casa, em Santa Cruz da Serra, o Ilê Axé Iya Omi, na Baixada Fluminense em Duque de Caxias, em 1957, ficando à frente até o sei falecimento. Os Bamgbose possuem grande expressão e, sobretudo reconhecimento em razão de seus descendentes serem atuantes no meio religioso com a distinção de serem iniciados dentro deste àse poderosíssimo, realizando suas obrigações, de preferência entre si. Sendo a família biológica do Candomblé, de maior número de integrantes, transformaram o importante título Yorubá, em uma denominação marcante representativa de rica linhagem familiar, a Família dos Bamgbose.